Mentes críticas, prerrogativa da educação

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“O segundo objetivo da educação é formar mentes que possam ser críticas, que possam verificar, e não aceitar, tudo que lhes é oferecido. O grande perigo de hoje são os lemas, opiniões coletivas, as tendências já formadas de pensamento. Temos que ser capazes de nos opor de forma individual, para criticar, para distinguir entre o que está certo e o que não está”.
Jean Piaget (1896-1980)

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Jornal da USP publica infográfico sobre como acadêmicos podem se tornar pesquisadores

O Jornal da USP publicou no último dia 21 (de fevereiro de 2018) um interessante infográfico, de autoria de Larissa Fernandes, que ajuda a estudantes de graduação e compreenderem os passos necessários caso queiram atuar em pesquisa. Republicamos aqui, com link direto para a fonte original.

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JAPÃO DESEJA EXPORTAR SEU MODELO DE EDUCAÇÃO PARA PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO E O QUE EU ACHO DISSO

JAPÃO DESEJA EXPORTAR SEU MODELO DE EDUCAÇÃO PARA PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO E O QUE EU ACHO DISSO

Quase um mês atrás, o IPC digital publicou uma matéria em português baseada em outra do Jornal Asahi sobre um projeto do governo japonês de, através do Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia, vender o seu modelo educacional para países em desenvolvimento da África, Ásia, Oriente Médio e, também, América, imagino.  Três dos países interessados citados são Mianmar, Índia, Egito.  Parece que há um subsídio para o projeto, ou seja, o próprio governo japonês bancaria parte da empreitada.  Como não é um projeto humanitário, imagino que exista lucro no horizonte.  Enfim, estava com um texto encaminhado sobre essa questão fazia tempo e, bem, acho que agora ele sai.

Um ex-aluno me perguntou se seria interessante importar o modelo japonês.  Respondi que algumas características poderiam, sim, ser interessantes, mas todo o modelo não seria uma boa idéia.  Percebi, e isso ficou evidente até na briga na caixa de comentários da notícia, que para os que o utilizaram o sistema japonês, brasileiros e brasileiras que matricularam suas crianças, tudo era perfeito ou suportável em vista dos resultados.  Até onde fui, houve até o cretino que apareceu falando mal de Paulo Freire, ou quem veio para ressaltar os problemas do nosso próprio sistema.  Olha, não se trata de competição, o sistema educacional brasileiro funciona precariamente, com exceções, e o Japão tem um sistema muito mais homogêneo e é um país do primeiro mundo, com ótimos índices em testes internacionais.  Não há como comparar os dois modelos.  Ainda assim, já que o assunto é exportar modelos, sabia que o lugar onde trabalho, o Colégio Militar de Brasília, recebeu visitantes africanos dispostos a imitar o que é feito aqui?  Pois é… 
 
O que eu acho engraçado nessas discussões é que raramente – para não dizer nunca – vemos os ex-alunos/as ou mesmo as crianças e adolescentes que estão na escola neste momento aparecerem para defender o sistema.  Eu estudei em um colégio extremamente tradicional no meu 2º ano do ensino médio.  Cheio de regras, uma preocupação absurda com o nome da instituição, repressor ao extremo, com tratamento desigual dos alunos e alunas.  A maioria dos colegas odiava a instituição, muitos, hoje, louvam “a disciplina”.  Percebo a mesma coisa com certos ex-alunos e alunas do CMB.  Detestavam o colégio, burlavam as regras, às vezes, escaparam por pouco de uma carta de exclusão, mas, ao saírem passam a vender uma imagem de perfeição porque sabem que quem está fora do colégio militar idealiza o que acontece lá dentro.  Fica parecendo que criticar o sistema é desvalorizar-se a si mesmo, quando é, simplesmente, analisar um modelo com seus prós e contras.
 
Aí, na primeira semana de setembro, apareceu uma matéria na BBC Brasilapontando que o suicídio é a maior causa de morte entre os japoneses de 10 a 19 anos e que os dias 31 de agosto, 1 e 2 de setembro são o ponto ápice dos incidentes.  As aulas voltam no dia primeiro.  Para pais e mães é fácil elogiar de fora, será que um sistema que produz isso é saudável?  Mais ainda, vendável?  Eu poderia citar, também, a questão de gênero, o Japão é um dos países do primeiro mundo com maior desigualdade entre homens e mulheres, será que a escola não tem a ver com a manutenção dessa situação?
 
Não se trata de desqualificar o sistema como um todo.  Eu gostaria que certas características do sistema japonês, que são mais da cultura japonesa em si do que da cultura escolar, pudessem vir para cá.  Por exemplo, eu acredito que os estudantes deveriam ser responsáveis pela limpeza de salas e instalações da escola.  As crianças precisam aprender a valorizar os espaços que utilizam, o que é público.  Isso, aliás, é a prática nipônica no dia a dia.  Agora, uma proposta assim esbarra na nossa tradição escravista que nos ensina que trabalho manual é para os inferiores.  Já tive embates com turmas nas escolas em que lecionei por causa disso.  Os meninos e meninas de classe média e além acreditam que é seu direito sujar, porque alguém limpará por eles, os pobres sujam da mesma forma, mas se chamados a limpar, se ofendem, sentem-se humilhados, afinal, há professores que humilham crianças dizendo que seu destino é se tornaram lixeiros.  Repito, trabalho braçal, ainda mais com lixo, é algo que degrada e remete à escravidão.  Procurem saber quem eram os “tigres” no Brasil escravista.  
 
Trabalho em grupo e autonomia são outras características interessantes e, claro, seria importante que alunos e alunas tivessem mais respeito pelos professores.  Sim, mas isso se assenta na idéia de respeito aos mais velhos e às autoridades que está presente em toda a sociedade japonesa.  Agora, eu não gostaria que esse respeito se travestisse em subordinação e silêncio, ou possibilitasse abusos por parte dos professores.  Algumas práticas do sistema japonês seriam bem-vindas, mas um modelo fechado, repito, jamais seria saudável.
 
Os dois sintomas doentios mais evidentes do sistema japonês, e que qualquer consumidor de mangás, doramas e animes conhece, são o bullying (ijime) e as altíssimas taxas de suicídio.  Fora isso, eu já havia lido várias coisas, como a insatisfação dos universitários com o sistema educacional, especialmente com o que é ensinado ou deixa de ser ensinado durante o colegial; e da queda dos índices de rendimento nos exames internacionais, ficando atrás de outros países asiáticos como a Coréia do Sul.  Esse último ponto, o desempenho em testes internacionais, é uma das razões de orgulho do próprio sistema e ajudou a criar fascinação no resto do mundo. 
Fui em busca de outras críticas e encontrei vários sites japoneses apontando para problemas que se refletem na sociedade de lá (Ex.:*123*).  Um deles, a falta de criatividade.  Os alunos são empurrados para a conformidade, agir como grupo, se destacar é perigoso e a falha pode envergonhar a família inteira.  Foi apontado mesmo que a maioria dos estudantes japoneses chega à faculdade sem prática de laboratório ou mesmo saber fazer uma apresentação de power point.  Sim, aqui no Brasil seria pior, mas estamos falando de um sistema educacional de primeiro mundo não de um que é desigual e precário.
 
Os próprios jovens japoneses reclamam que o sistema parece viver em função dele mesmo, há até uma seqüência do anime clássico de Sailor Moon que brinca com isso, uma conversa entre Jedite e a Rainha Beryl, acho que no episódio em que Amy aparece.  A competição é atroz desde muito cedo, com as crianças disputando as melhores escolas e os uniformes mostrando quem é bom e quem não é, mães sendo culpadas por seus filhos e filhas não conseguirem ingresso em escolas de elite e alguns meninos e meninas se matando por causa disso.
 
Enfim, os alunos do último ano do colegial têm exames quase toda a semana, com ênfase na decoreba (*algo que eu já tinha notado em animes e mangás*) e não tem tempo para mais nada.  A competição pelas melhores escolas e universidades se reverte em uma exibição que não tem como fim a vida prática, mas mobiliza pais, professores e alunos.  As turmas são lotadas e os professores não tem tempo para um atendimento individual.  Daí, além da longa jornada escolar, muitos alunos precisam ir para os cursinhos (juku). 
 
Isso tudo é sintomático de um sistema que não vai bem e os japoneses estão perdendo posições para rivais coreanos e chineses no seu campo de excelência. Encontrei até um site em inglês, feito por um aluno estrangeiro em universidade japonesa, que apontava que os japoneses têm aulas de inglês desde muito cedo e são cobrados ao extremo na escola, mas poucos conseguem se comunicar minimamente no idioma.
 Enfim, eu não gostaria de ver minha filha em um sistema como esse.  Aliás, na minha disciplina, História, parece que a bolha é ainda pior, porque, bem, os livros omitem muitas informações, especialmente sobre o expansionismo japonês e a 2ª Grande Guerra, e mesmo material como Gen, Pés Descalços anda sendo retirado de algumas bibliotecas escolares.  Isso tudo que escrevi não significa que estou dizendo que o sistema japonês é um fiasco, mas que seus resultados e a imagem idealizada acabam mascarando problemas que somente os usuários, os alunos e alunas, podem perceber e o normal é que os adolescentes e crianças não sejam ouvidos, alguns acabam se convencendo que está tudo bem e repetindo o ciclo, outros poucos conseguem quebrá-lo, como o bibliotecário da matéria da BBC.  A maioria, no entanto, acredita que as coisas são assim e pronto.  Na verdade, as coisas sempre podem ser diferentes, mas mudar é difícil, porque implica, muitas vezes, em jogar por terra as certezas que temos.
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FONTE: http://www.shoujo-cafe.com/2015/09/japao-deseja-exportar-seu-modelo-de.html. Texto escrito em reblogado aqui com autorização expressa da autora!
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Campanha para coordenação da graduação em Pedagogia movimenta alunos durante a greve

Os primeiros dias de dezembro foram movimentados no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro. Enfrentando a provavelmente mais grave precarização de sua história, a instituição já havia reeleito em meio à greve a diretora geral Sandra. Esta por sua vez nomeou um professor para a coordenação do ensino superior. E professores da graduação em Pedagogia lançaram chapa única, com professora Beatriz Albernaz, há cerca de treze anos na casa, para o local que será deixado pela Professora Ellen.

A professora Bia, que é querida por todos os alunos que por ela passaram, e conta com o carinho também dos professores que a conhecem, mostrou animação contagiante, abrindo sua pauta de percepções e focos de trabalho para todos em carta aberta, falando em assembleias aberta a comunidade iserjiana nos três turnos, e empenhando-se para que todo o processo corresse da forma mais transparente possível.

Alunos responderam propagando a chamada para a votação por grupos do Whatsapp, Facebook, num forte boca-a-boca virtual e eletrônico.

Os professores apoiaram o processo promovendo oficinas, seminários e debates que movimentaram a casa e estimularam ainda mais os alunos a comparecerem.

Tive o privilégio tomar parte do processo, como membro da Comissão Eleitoral composta por alunos e professores, e responsável por promover, registrar os votos e auferir os dados levantados pelas urnas.

Beatriz Albernaz foi eleita com apoio de 96% de votos a favor de seu nome como nova coordenadora. Agora é torcer para que sua experiência, competência e garra sejam a funda de Davi contra um Golias aparentemente disposto a levar o Iserj à sua derrocada definitiva. (Arnaldo)

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Matéria da TV Alerj aborda precarização do Iserj

Por Arnaldo V. Carvalho

Essa semana saiu uma pequena matéria sobre a precarização do ISERJ, pela TV Alerj. Tem relevância, mas é preciso que se abra os olhos. O discurso do comissionário Comte Bittencourt é mais um daqueles que, na frente das câmaras clama: “absurdo!”, mas que na prática pouco fará pela instituição.

Não é do interesse. No final das contas, a tal visita da comissão de educação e a reunião ocorrida pareceu mais “para inglês ver”. Para além de minha incredulidade quanto à efetivas ações governamentais, não houve participação ampla da comunidade Iserjiana, a comunicação interna da instituição segue ineficiente, e me pergunto até que ponto é de propósito.

A professora Sandra, que segue na direção geral do Instituto após vencer novas eleições no último mês, cobrou corretamente mais verbas e professores, especialmente concursados. Mas sigo desde minha entrada como aluno em 2015, sem entender porque quase não a vejo, quase não há debate, comunicação clara, direta e abundante com os alunos, porque ficamos sabendo essas coisas pela mídia por exemplo e não diretamente. Voltamos a questão da comunicação.

A matéria também mostrou alunos do Iserj se queixando: A estudante Thamires denunciou que os alunos voltaram a ter almoço dada a pequeníssima quantidade de alunos, já que após quase dois anos de penúria, o Iserj experimenta um esvaziamento inédito. Está certo que foi um pouco penoso observar cobrando “bolinho” no lanche. É porque ela cresceu tendo observado que, nas vacas gordas, a escola serve esses alimentos industrializados como bolinhos e biscoitinhos… Mas Thamires, no valor desse “bolinho” há tantas alternativas melhores!

De qualquer forma, as críticas foram todas justas, tanto dela como do Aurélio, que aliás se colocou muito bem.

Teria sido ótimo se a matéria tivesse dado voz a alunos do superior e um pouco mais aos professores e mesmo funcionários da casa. Mas não dá para esperar tanto de uma TV que pertence a ALERJ, já foi bom demais.

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Links da Semana (4 a 8 de dezembro 2017)

Dezembro desesperançoso para a educação brasileira

-“Há um projeto de destruição do ensino superior público no Brasil”, denuncia professora da UERJ de passagem pela Sorbonne. http://br.rfi.fr/brasil/20171205-rfi-convida-professora-neiva-vieira

– Em 2013, afirmou o Le Monde: “Brasil nunca deu prioridade à educação“. De lá para cá, já no fundo do poço, vem cavando mais e mais. Parece que o objetivo é fazer a educação chegar no pré-sal. http://br.rfi.fr/brasil/20171205-rfi-convida-professora-neiva-vieira

– Entre os piores do mundo em matéria de educação: Matéria criada em 2013 e atualizada em 2015 só não conta das mentiras do governo, das mil maquiagens na máquina educacional para gerar estatísticas menos aterrorizantes. http://br.rfi.fr/brasil/20131203-apesar-de-melhoras-brasil-ainda-e-um-dos-ultimos-em-ranking-de-ensino

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O estado de miséria no Rio de Janeiro e o adoecimento do Instituto de Educação.

 

Estarei testemunhando a metamorfose de um centro de formação para a vida em mausoléu anti-vida? O Iserj será enterrado em cova rasa, como indigente, após um passado de glória e após ter formado profissionais competentes da educação? Após décadas de esforço para no ensino de crianças e jovens, com a qualidade necessária para desenvolverem e se tornarem cidadãos aptos a uma vida produtiva, socialmente honesta e responsável, e protegendo seus dons inatos de serem capazes de serem felizes? Vejam o que aconteceu ontem, 06/12/2017 no Iserj.

Iserj à mingua, mídia, governo, sociedade nem aí, profissionais agonizam e tudo fica por isso mesmo.

Arnaldo V. Carvalho*

É muito triste. Diariamente, pessoas na rua me pedem dinheiro,.comida,.etc. Hoje foram três. Aí você dá boa noite aos porteiros do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj), e de repente um deles, que você já vê trabalhando há alguns anos por ali pede algum trabalho. “Qualquer coisa, capinar um quintal, qualquer coisa”. “Não recebo há três meses, estou com problemas nos rins e as coisas estão se tornando difíceis”.

“Mas não vou parar. Desculpe a vergonha de pedir, mas não sei o que fazer”.
E a colega ao lado dele intercede pelo mesmo: “mesmo uma cesta básica pode ajudar”.

A situação não é nova. Em fins do ano passado, um grupo de alunos e uma professora aguerrida montou um grande almoço gratuito de natal. Entre os funcionários de serviços menos qualificados, que ganham salario minimo, eu vi, ninguém me contou, vi gente almoçar chorando.

Na verdade, os profissionais do Iserj têm sofrido com os constantes atrasos de pagamento do salário desde 2015. Não é a primeira vez que o salário deixa de ser pago pelo terceiro mês seguido. E os que vivem de salário mínimo, nessa hora, são os que naturalmente enfrentam mais dificuldades. Mas não só eles: há professores, doutores, que por vezes são o esteio de grandes famílias, e mesmo vivendo vidas simples, passaram a acumular dívidas e estão no limite. As pessoas estão adoecendo, literalmente, e para além das questões emocionais concretas, há as psicossomáticas. O funcionário que me abordou, por exemplo, não tem ideia de que por isso mesmo, seus rins comprometidos só vão piorar.

O Iserj é essa síntese da imoralidade de nossa sociedade: a instituição, simbolo vivo da educação, solenemente ignorada e aos poucos, no silencio da omissão, transformada em quarentena de pessoas contratadas, concursadas, trabalhadoras, que agonizam em estado grave e progressivo de miséria.

* Arnaldo V. Carvalho, graduando em pedagogia pelo ISERJ.

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