9 anos sem reajuste em bolsas de estudo.

Um apelo da Associação Nacional de Pós Graduandos: assinemos um abaixo-assinado pelo reajuste no valor das bolsas de pesquisa

(Arnaldo V. Carvalho)

9 anos sem reajustes. A bolsa de Iniciação Científica na graduação é de 400 reais. Bolsistas ficam vedados de trabalhar. A maioria dos alunos que precisam de bolsa trabalham (porque precisam). Outros acabam indo fazer estágio remunerado, que é bom mas tem um perfil diferente daquele que favorece o campo da pesquisa no Brasil.
Como vão deixar seus trabalhos por essa bolsa? Peço que assinem pelo reajuste das bolsas:

https://www.change.org/p/presid%C3%AAncia-da-rep%C3%BAblica-para-pintar-o-brasil-que-queremos-reajuste-das-bolsas-de-estudo-j%C3%A1

No caso das bolsas de pós-graduação, atualmente são R$1500,00 para mestrado e R$2200,00 para doutorado. Novamente as bolsas condicionam a não trabalhar (a ideia seria que ela suprisse despesas para que o pós-graduando/pesquisador pudesse se dedicar integralmente, e assim gerar conhecimento de qualidade para a sociedade.

Esse valor pode ajudar quando se é um rapaz ou uma moça sem filhos, vivendo na casa dos pais… E quando se vive de aluguel? E se, por exemplo, já se assumiu uma família, se tem filhos? E quando a pessoa vive de aluguel, tem filhos e trabalha, tendo que abrir mão do trabalho?

Vale salientar que com esse valor, o pós-graduando/pesquisador tem que se virar para comprar equipamento (como produzir pesquisa hoje sem computador?) e bancar sua Internet, para apresentar seus trabalhos, publicar artigos (cada vez mais as revistas de porte cobram) e se deslocar quando há pesquisa de campo.

É muito difícil. Eu vejo minhas e meus colegas em situações como essas, com o acréscimo de se deslocarem em 2, 3 conduções, e quando se vive em baixo, é verdade: aprende-se a gingar a vida, viver com o que se tem e encarar os desafios. Mas qual é o preço desse desgaste, para o corpo, a mente e as relações? E qual é o preço para a própria ciência, quando seus pesquisadores não conseguem atual em condições dignas?


Arnaldo V. Carvalho é doutorando em educação pelo PPGE-UFRJ, e bolsista PROEX CAPES.

Publicidade

Sobre Arnaldo

Arnaldo, pai, terapeuta, escritor, educador, ser humano. Visite meu site e saiba mais sobre mim!
Esse post foi publicado em Desafios da pós-graduação, Valorização e marcado , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s