Demolindo os AACCs

Arnaldo V. Carvalho

Fui um entusiasta das chamadas AACCs (Atividades Acadêmicas, Científicas e Culturais)* desde que me deparei com elas na minha primeira faculdade de pedagogia (incompleta), ainda na primeira década dos anos 2000.

O argumento, afinal, é maravilhoso. Uma formação superior requer um cabedal de experiências que sustente tanto discussões e reflexões ao longo do processo acadêmico, como propicia uma ampliação da visão de mundo, crítica, etc.

Valorosíssima a ideia do AACC, quanto mais em um contexto onde as universidades vêm recebendo alunos que tiveram poucas oportunidades de alargar seus horizontes através de experiências de vida para fora de uma rotina de movimentação restrita (casa, escola, trabalho, talvez uma igreja ou esporte, sempre com as mesmas pessoas, lugares e mentalidades). É exatamente o que a ida a exposições, palestras, cinema, teatro, oficinas, etc., pode proporcionar.

Só que mudei de ideia. Tudo começou com uma página do livro Essencialismo, página 24.

“ssijirjri gjig tjgi”…

Não dá para discutir: a cada dia, mais e mais estudantes de graduação são pessoas que acumulam funções profissionais e acadêmicas, e muitas ainda têm funções familiares e domésticas. Pragmaticamente, dar conta de tudo isso e ainda ser obrigado a cumprir os AACC’s é simplesmente, pesado.

O Ensino Superior precisa encarar essa realidade e transitar do caráter de obrigatoriedade do AACC para um processo de incentivo.

Como se incentiva?

Trazendo mais AACCs para dentro das instituições. Procurando envolver os alunos no interesse, nas ideias. Quem sabe até, reservar uma disciplina na carga horária que permita essa invetigação de campo em caráter semi-permanente, oferecendo-se infra-estrutura para a realização de tais atividades.

É lastimável que a faculdade tenha de incentivar lacunas e preencher um campo de experiência e desenvolvimento humano devia ter ocorrido ao longo da criação de qualquer indivíduo – proporcionado tanto por escola como por família.

Mas enquanto ela conviver com esta realidade, precisa se posicionar entre as limitações do aluno e sua necessidade de avançar. .

Arnaldo V. Carvalho, ainda estudante de pedagogia no ISERJ

2 de março de 2018.

Sobre Arnaldo

Arnaldo, pai, terapeuta, ser humano. Visite meu site e saiba mais sobre mim!
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