A abordagem Pikler na educação infantil, e como uma de suas autoridades encontrou o Brasil

Infelizmente, nenhum dos meus professores ao longo de toda a formação pedagógica no ISERJ citou em qualquer momento o trabalho da médica húngara Emmi Pikler.

Foi no Oga Mitá, a escola das minhas filhas que a diretora em conversa comigo me perguntou se eu conhecia. Ela já fazia a formação da Abordagem Pikler, que tem fundamentos simples, relacionados a uma forma muito natural e afetiva de se estabelecer vínculos produtivos com as crianças na escola. Basicamente, é fundado em afeto e horizontalidade, dois temas que considero fundamentais na educação.

Pois é, a pediatra francesa Isabelle Deligne, especialista na abordagem, esteve no Brasil dando cursos, e em entrevista comentou brevemente sobre (más) impressões que teve visitando creches pelo país. Foi uma percepção triste e correta. Infelizmente, nenhuma surpresa para quem conhece a realidade que construímos para os pequeninos por aqui.

Veja abaixo:

O que chama a sua atenção nas creches e abrigos que conheceu no Brasil?

As primeiras vezes que vim ao Brasil me impactou muito a preocupação dos adultos com que as crianças fracassassem. “-Deixa eu fazer por eles.. Deixa eu ajudar eles… coitadinho.. Pobrezinho.. Ele não vai conseguir!”. Me impressionou muito que o processo da criança se esforçar para conseguir algo fosse visto como “abandono”. O prazer dos bebês ao se esforçarem para conquistar algo não era reconhecido. Imagine a cena de um bebê deitado, se esticando para pegar algo que está do outro lado. É muito difícil para um adulto não se levantar e ir pegar o brinquedo para entregar na mão dele. Outra coisa que eu noto no Brasil é a sedução, como se os adultos precisassem o tempo todo se sentir amados pelas crianças. É como se fosse, de certa forma, enrolar e enganar as crianças. Ao invés de enxergar que adultos e crianças estão juntos diante de uma situação, os adultos mostram uma situação que não é real, com a ilusão de que as crianças vivem em um mundo protegido, sem emoções. Mas, não, as crianças têm emoções muito fortes, desde bem cedo, e estar com eles é estar disponível para acolher essas emoções, de alegria, tristeza ou raiva.

É isso mesmo Isabelle. Quer conferir a entrevista toda, e aprender um pouco mais sobre a Abordagem Pikler? Vale muito a pena. Aqui vai a fonte:

http://www.avante.org.br/respeitar-e-confiar-nas-criancas/

Abraços, Arnaldo

Sobre Arnaldo

Arnaldo, pai, terapeuta, ser humano. Visite meu site e saiba mais sobre mim!
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