O estado de miséria no Rio de Janeiro e o adoecimento do Instituto de Educação.

 

Estarei testemunhando a metamorfose de um centro de formação para a vida em mausoléu anti-vida? O Iserj será enterrado em cova rasa, como indigente, após um passado de glória e após ter formado profissionais competentes da educação? Após décadas de esforço para no ensino de crianças e jovens, com a qualidade necessária para desenvolverem e se tornarem cidadãos aptos a uma vida produtiva, socialmente honesta e responsável, e protegendo seus dons inatos de serem capazes de serem felizes? Vejam o que aconteceu ontem, 06/12/2017 no Iserj.

Iserj à mingua, mídia, governo, sociedade nem aí, profissionais agonizam e tudo fica por isso mesmo.

Arnaldo V. Carvalho*

É muito triste. Diariamente, pessoas na rua me pedem dinheiro,.comida,.etc. Hoje foram três. Aí você dá boa noite aos porteiros do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj), e de repente um deles, que você já vê trabalhando há alguns anos por ali pede algum trabalho. “Qualquer coisa, capinar um quintal, qualquer coisa”. “Não recebo há três meses, estou com problemas nos rins e as coisas estão se tornando difíceis”.

“Mas não vou parar. Desculpe a vergonha de pedir, mas não sei o que fazer”.
E a colega ao lado dele intercede pelo mesmo: “mesmo uma cesta básica pode ajudar”.

A situação não é nova. Em fins do ano passado, um grupo de alunos e uma professora aguerrida montou um grande almoço gratuito de natal. Entre os funcionários de serviços menos qualificados, que ganham salario minimo, eu vi, ninguém me contou, vi gente almoçar chorando.

Na verdade, os profissionais do Iserj têm sofrido com os constantes atrasos de pagamento do salário desde 2015. Não é a primeira vez que o salário deixa de ser pago pelo terceiro mês seguido. E os que vivem de salário mínimo, nessa hora, são os que naturalmente enfrentam mais dificuldades. Mas não só eles: há professores, doutores, que por vezes são o esteio de grandes famílias, e mesmo vivendo vidas simples, passaram a acumular dívidas e estão no limite. As pessoas estão adoecendo, literalmente, e para além das questões emocionais concretas, há as psicossomáticas. O funcionário que me abordou, por exemplo, não tem ideia de que por isso mesmo, seus rins comprometidos só vão piorar.

O Iserj é essa síntese da imoralidade de nossa sociedade: a instituição, simbolo vivo da educação, solenemente ignorada e aos poucos, no silencio da omissão, transformada em quarentena de pessoas contratadas, concursadas, trabalhadoras, que agonizam em estado grave e progressivo de miséria.

* Arnaldo V. Carvalho, graduando em pedagogia pelo ISERJ.

Sobre Arnaldo

Arnaldo, pai, terapeuta, ser humano. Visite meu site e saiba mais sobre mim!
Esse post foi publicado em Desafios da Graduação, Educação e Política, Iserj e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s