Vem aí o corta-cabeças da educação do Rio de Janeiro

Com Victer a frente da secretaria de educação, temos a certeza de que professores, alunos e instituições de ensino do Estado do Rio serão tratados como esgoto.

Wagner Victer foi anunciado hoje como novo secretário de educação do Estado. Tenho a experiência de ter vivido em São Gonçalo durante a fase em que este engenheiro estava a frente da companhia estadual de águas e esgoto (CEDAE), no governo de Sergio Cabral (PMDB, 2007-2014). Na época, já era uma das campeãs de reclamação dos consumidores, e os gonçalenses não sentem saudades. Por toda a gestão, ele mostrou-se incapaz de manter o diálogo ou mostrar preocupação para com as comunidades insatisfeitas com as constantes faltas de água, algumas de alta gravidade. A ineficiência no reparo de canos que fizeram as galerias perderem milhões de litros de água também se notava com facilidade. E ainda assim, ele foi laureado por empresas e órgãos públicos durante a sua gestão. Cabral renuncia em 2014, e no ano seguinte alguém tem a “brilhante ideia” de colocar o homem da água e do esgoto a frente de uma importante instituição educacional – a Faetec. Porque ele é engenheiro e “técnico”, porque ele tem curso em Harvard etc. e tal, acharam ele qualificado.

Sua gestão “trator”, como bem classifica o jornal O DIA, se repetiu à frente da Faetec, mantenedora do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), onde estudo. De fato, entrei na faculdade no mesmo momento que ele, e pude observar o ocaso se ampliando dentro da faculdade, dia após dia. Seguidos atrasos dos funcionários terceirizados, total falta de condições de trabalho para os professores, para não falar dos planos de carreira que já vinham interrompidos (e ele elogiou a beça a gestão anterior, prometendo dar continuidade à mesma). Diálogo zero com os professores, preocupação zero com a “escolinha de professores”, talvez porque seus olhos estivessem voltados para “coisas mais sérias” como os cursos técnicos relacionados à tecnologia.

Sua gestão truculenta encontrou o ápice indigesto da impopularidade, da irresponsabilidade social (ele que recebeu um “prêmio de responsabilidade social” em 2011), e da incompetência na nossa comunidade acadêmica, ao suspender as refeições aos alunos e funcionários do ensino superior. “Não temos obrigação legal”, disse ele à época. Ele deve ter se achado bom gestor, cortando o que é excesso, para otimizar a verba da Faetec. Só que fez isso esquecendo (se é que ele sabia) que, se não é obrigação fornecer gratuitamente, é obrigação uma instituição de ensino do porte do Iserj possuir um bandejão, com preço popular. Então o corte da gratuidade somente poderia ter sido feito após a instituição do bandejão, que viabilizaria a possibilidade de um aluno passar o dia na instituição estudando, estagiando, etc. Mais uma vez, não dialogou, não buscou o caminho do meio. A medida veio de cima e todos tiveram que (não) engolir. Esse será o novo secretário de educação, alinhado com a turma que está há anos a frente do poder no Rio de Janeiro, e que agora assume de vez o país através do presidente Temer e seus ministros.

Após mais de dois meses de greve dos professores e a ocupação de dezenas de escolas por movimentos estudantis de secundaristas, o ISERJ mingua como um castelo sitiado. A surpresa é que quem sitia deveria ser quem subsidia. A própria Faetec. O que queria Victer? A resposta “com o ISERJ, nada, não estou nem aí” caberia como uma luva, após o anúncio de hoje:

Acaba de cair o secretário Antônio Neto (que ao menos era professor), exonerado por não conseguir conter a insatisfação que atinge TODOS OS SETORES DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO ESTADO, e todos os seus participantes: alunos, professores, funcionários, pais, etc. Entra Victer, que tem uma missão parecida com a do Coronel Moreira César em Canudos: reprimir o subversivo, que resiste à ser esmagado passivamente pelo governo.

Moreira César ficara conhecido por sua violência e crueldade, e ganhara o apelido de “Corta-cabeças” por gostar da decaptação exemplar de seus inimigos. Figura ainda como nome de muitas ruas do país, como herói republicano. Mas os canudenses de Antônio Conselheiro, unidos, venceram a batalha contra o sanguinário.

A sabermos da forma como Wagner Victer estabeleceu contato com a comunidade do ISERJ, em especial o Ensino Superior, tratando-nos como o antigo esgoto da CEDAE, não se pode esperar ser muito diferente.

Nos tempos de hoje, o “corta-cabeças” vem com a curta e infeliz experiência de ter sido um gestor repressor, ineficiente e sempre com o objetivo de arroxar e fazer mais uma instituição funcionar à chicote, cheia de problemas e danos à essência da função das instituições a que esteve a frente.

Que mais uma vez a comunidade resista, se una, vença!

*   *   *

Arnaldo V. Carvalho, terapeuta, pai, educador, aluno de Pedagogia do ISERJ

QueQue mais QueqqqqqqwwwArnald

A NOTÍCIA DA ENTRADA DE VICTER NA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO RIO PELA IMPRENSA OFICIAL:

http://extra.globo.com/noticias/extra-extra/novo-secretario-de-educacao-wagner-victer-comete-erro-de-portugues-ao-vivo-19321208.html

http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2016-05-16/secretario-estadual-de-educacao-e-exonerado-e-wagner-victer-vai-assumir.html

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/05/secretario-de-educacao-do-rj-e-exonerado-wagner-victer-assume.html

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