Quem quer ser professor?

Em um grupo de crianças, com certeza, nós encontraremos muitas meninas com a vontade de serem professoras quando crescerem. Eu mesma quis ser professora de Matemática quando tinha 10 anos, admirava muito a minha professora, mas com o tempo a vontade foi sumindo, e aos poucos sumiu de vez. No primeiro ano do Ensino Médio eu já não sabia qual profissão seguir, mas professora com certeza eu não seria! Pensando hoje o porquê disso, eu percebo que assumir essa vontade era, eu quero dizer isso com certo cuidado, vergonhoso.

Tentando entender o motivo dessa vergonha, cheguei, inevitavelmente, a desvalorização do professor.  A sociedade fala, a família nos diz e nós mesmos sabemos que escolher a docência é assinar os papéis do baixo salário e da escola sem estrutura. E mais ainda, o olhar dos nossos parentes quando dizemos que  o que queremos fazer ou é de dó, ou é de incredulidade. Raramente encontramos um entusiasmado com a causa (porque ser professor não é profissão, é ser um militante da Educação).

O governo promete grandes investimentos: salários adequados, formação continuada, escolas estruturas, computadores, educação integral. Esses são os ingredientes básicos, mas será que eles garantem que daqui 10 anos um vestibulando fale que quer fazer Licenciatura com o mesmo orgulho de quem escolheu fazer Engenharia ou Medicina?

Um editorial do Estado de SP publicado também pelo Jornal da Ciência traz informações que “mostram que os ingressantes em licenciatura se enquadram num perfil socioeconômico mais baixo do que o dos demais cursos na USP, situação que, de acordo com o estudo, se repete em cursos semelhantes em outras partes do Brasil.”  E esse talvez seja o grande motivo da vergonha. A desigualdade social existe também dentro da Universidade, enquanto quem escolhe fazer Arquitetura é de família abastada, o estudante da Licenciatura e da Pedagogia é de família pobre. Nós sabemos que fazer uma faculdade promove ascensão social, mas fazer um curso tradicional dá status, é isso que um adolescente (e adultos também) mais quer. Nós também queremos ser vistos como heróis, assim como médicos, queremos sermos vistos como pessoas criativas, assim como os arquitetos e designers, e por final, queremos sermos vistos como pessoas inteligentes assim como os engenheiros são vistos.  As crianças pelo menos enxergam os professores assim.

Sonhos à parte, eu espero pelo menos que a nossa profissão entre para o leque de escolhas com o mesmo peso das outras profissões.

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Sobre Letícia Cuebas

A minha intenção com esse blog é compartilhar um pouco da minha vida, experiências, problemas, soluções, opiniões e fazer com que pessoas que pensam igual saibam que não estejam sozinhas no planeta :)
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