Memórias de um mundo de livros

Ao assistir esse curta, meus olhos se encheram de lágrimas. Meu mundo, o mundo do meu avô, o cinza que toma cor… Como eu vivi, como eu vivi essa casa de livros, em estantes desarrumadas, abarrotadas, em pilhas e mais pilhas pelos corredores de toda a casa… Deus sabe o quanto resisti a eles! Meus irmãos ávidos, eu de outro lado, preguiçoso, querendo mais ouvir, ou sentir, o que diziam deles… Mas lá estavam os literalmente milhares de livros, e seus títulos, autores, capas, temas. Tantos, tantos. Os de adultos, os para jovens e crianças, os específicos para os médicos da casa, para as mulheres da casa, para os homens da casa. Livros para entreter, para ensinar, e para sonhar. Estavam lá na casa onde cresci, e na casa de praia, e no apartamento-biblioteca. E aos poucos, meus livrinhos, oferecidos sem hesitação a qualquer sinal de atração de minha parte, também ocupavam esse imenso universo livro colorido.

Era sair do cheiro feliz de livro novo da livraria para o cheiro misto dos livros de então quase um século, capas de couro e livros modernos prensados à cola.

Verdade que a história em 15 minutos desta animação foi curta, e não traduziu detalhes, sobre a vida desses livrinhos inteligentes. Epidemias varriam eventualmente populações inteiras destes livros. A doença-cupim, silenciosa, traiçoeira, normalmente só combatida quando já era tarde para muitos deles, era o principal responsável pelo fim de muitos títulos. Pois naquela casa, não se disperdiçavam letras. Nenhuma delas.

Minha gratidão à Professora Selma, do Iserj, que me indicou esse vídeo. Uma de minhas principais influências acadêmicas, nos mostra, a cada período cursado, o ser humano maravilhoso e sensível que têm tocado corações e despertado consciências em sua missão de educar educadores.

Arnaldo V. Carvalho, estudante de pedagogia do ISERJ.

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Um incentivo de T. H. Huxley

“Tente aprender alguma coisa sobre tudo e tudo sobre alguma coisa.”

Thomas Henry Huxley (1825-1895), cientista natural

 

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Onde está o delírio do verbo?

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VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.

Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.

E pois.

Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.

Fragmento de “uma didática da invenção”, de Manoel de Barros (1916-2014)

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Sobre o inominável

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“As coisas que não tem nome são mais pronunciadas por crianças”.

Manoel de Barros (1916-2014)

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Enem: uma ideia interessante que já começa a ser deformada pelo governo Temeroso

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Arnaldo V. Carvalho*

Dentro do todo da educação brasileira e seus sistemas formais, o Enem não foi uma má ideia. Ele gerou maior adesão de estudantes, mais acesso e diversidade de escolha, melhor distribuição na ocupação das vagas das Universidades. Puxou novos métodos formativos, explorou a transversalidade de forma rudimentar (bem razoável na comparação com o que se tinha antes), gerou questionamentos sociais importantes através do tema-chave de suas redações, a cada ano. Contudo, o exame começa a dar sinais de que incomoda, e já começou a ser deformado nesse segundo ano de governo Michel Temer.

Essa semana o empresário que atualmente comanda o  Ministério da Educação anunciou que o Enem não vai mais valer para certificar a conclusão do ensino médio. Ao mesmo tempo, lançou consulta pública com três perguntas:

  1. O Enem deve passar a acontecer em um dia só?
  2. Caso em dois dias, deve seguir sendo sábado e domingo, ou passar para dois domingos, ou ainda, domingo e segunda, decretando feriado escolar neste último dia
  3. O exame deve ser prestado em um computador, ao invés de no papel?

De cara, minha leitura sobre essa medida arbitrária (pouco comentada) seguida da consulta pública é que os políticos começaram a achar que podem seguir fazendo seus mandos incoerentes, desde que se crie um desvio de atenção. A “consulta pública” pode criar uma máscara de “democracia”, deixar o governo com cara de quem escuta, e quem sabe até agradar a certos grupos sem lhes dizer “não” na cara.

Então a quem interessa separar o Enem da conclusão de ensino médio? Sabemos que na orientação privatista do governo, o foco será mais uma vez separar o ensino do operário, que volta a ser predominantemente técnico, daquele que promove a reflexão, a visão crítica da sociedade, a consciência global das situações. Enem deixa, assim, de ser para o sujeito cujo destino é trabalhar em empregos de menor status/remuneração. A confirmação disso vem da fala do próprio ministro, que  afirma que o Enem “cobra mais do que o necessário” para o ensino médio. Que estranho, achei que o exame buscava avaliar a preparação do aluno relacionada aos seus anos de escola.

Então vamos simular uma situação. Seu João não terminou o ensino médio. Entrou no mercado de trabalho, cresceu, virou gerente de supermercado. Seu João que seguiu afiado na leitura, que é bom de contas, que aprendeu aqui e ali decidiu que iria fazer uma faculdade de gestão. Até ano passado, seu João prestava o Enem, pedindo que o exame lhe validasse o segundo médio (mas é óbvio, se sua pontuação demonstrou, como não validar?). Agora, seu João vai fazer o Encceja, e depois vai fazer o Enem. Vai pagar duas incrições, vai gastar tempo fazendo duas provas, que no final das contas, deveriam dar conta dos mesmos conteúdos… Qual é o sentido disso?

É verdade que, se formos visceralmente nos questionamentos da cultura educacional no Brasil, vamos nos perguntar sobre  o que leva a necessidade de um exame anual para certificar o ensino médio, seja pelo sistema que já era aplicado antes do Enem (Encceja), seja do próprio Enem. Um exame como esse é no mínimo o reconhecimento de que não é preciso passar pela formação escolar para se obter uma certificação, e deixa a prova que a educação no Brasil é completamente desestruturada. Mais fundo ainda e questionaremos provas e exames, o ensino forçado e emburrecedor, etc. Não vou, porém por esse caminho nesse artigo. Só não posso me omitir a afirmar: a educação vive de tampar buracos, de criar remendos à situações que não eram para existir. Fico me perguntando até que ponto o INEP, responsável por tais exames, não funciona em certos departamentos como mais um dos cabides de emprego.

E quanto a isso tudo, não temos voz. Não houve consulta pública para a questão. As perguntas da consulta pública, por outro lado, devem procurar agradar a elites religiosas que querem o fim do exame no sábado por questões de crença, reduzir custos passando o exame para um dia só, e criar novos sistemas de exclusão através do exame por computador (o quanto esse Brasil de Deus é realmente informatizado? Quantos estudantes cresceram habituados com o uso diário do computador para ler e escrever? Quanto mais para fazerem provas). Para essas coisas há consulta pública – para o que não pode ser bom para a população, independente das opções de escolha.

Arnaldo V. Carvalho estuda pedagogia no Iserj, é pai, terapeuta e professor de terapias naturais, autor do livro “Shiatsu Emocional” e participa ativamente dos processos políticos e sociais no Brasil.

 

 

 

Links relacionados:

Enem não certificará mais ensino médio, confirma ministro

http://noticias.universia.com.br/tag/mudan%C3%A7as-no-enem/#

http://www.inep.gov.br/

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd12tO0PkB85TtapYKRr8lix5JKi9Xg7qqN9_iAcyrhSVsfNw/viewform?c=0&w=1

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Arte em quadro negro

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Algum artista anônimo deixou isso em um quadro negro do Iserj, no último dia de aulas de 2016.

Sensacional!

Arnaldo V. Carvalho, graduando em pedagogia pelo ISERJ

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Reitoria da Uerj envia carta ao (des) governador Pezão alertando para o risco de cessação de todas suas atividades — Blog do Pedlowski

A reitora em exercício da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Maria Georgina Muniz Washington, enviou hoje uma carta ao (des) governador Luiz Fernando Pezão com um teor que revela a dramaticidade da situação a que sua instituição está colocada pela falta de verbas de custeio e do pagamento de seus servidores (ver […]

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